segunda-feira, 18 de Maio de 2009

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As cadeias vam além do sofrimento denunciável.

Vam além da dor, estám na aldraje.

As cadeias pequenas, que incomodam de verdade, som as faltas de respeito.

A superioridade pretendida.

Cadeia é simplesmente estar num lugar do que queres fugir decontado.

Há palavras, perguntas, olhares que som cadeia.

Elos da cadeia há no lazer, no estudo, no emprego.

A metade da vida é cadeia.

Cérebro vazio

Porque nom se podem estudar as cousas do amor, do humor, do que está escondido?

E logo, seremos nós os nenos mimados do mundo, sempre a poder escolher?

No chao há um bombom vermelho. Já é mais do que há para nós no céu.

Como se chamará a pessoa que coseu as minhas botas?

Neste mundo revirado, talvez os militantes sejam os mais hipócritas. Os outros som infames sem mais.



Cérebro vazio, com efeito.

domingo, 17 de Maio de 2009

Cumpria fazer algo, nom é?


Nestes últimos dias tivemos a nova da ilegalizaçom da candidatura de Iniciativa Internacionalista às eleiçons europeias. A esta lista, conformada por pessoas pertencentes a movimentos de esquerda e de naçons sem Estado da Península Ibérica Nom-Portuguesa -para evitarmos repetiçons cacofónicas da palavra Estado por umha banda e o uso de verbas mentireiras e de sonoridade repugnante pola outra-, foi-lhe vetada a participaçom nas eleiçons por meio de argumentos tam absurdos quanto surprendentes. Esta violaçom flagrante dos direitos democráticos mais elementares deve ser respondida contundentemente. Deste blogue animamos todas as pessoas que nos lerem a protestar energicamente contra a ilegalizaçom desta candidatura de esquerda.

Demonstraçom de força


Hoje foi um dia grande para o nosso povo. Nom quereria correr o risco de aventurar umha cifra; seguro que ficava mui longe da autêntica. Mas a dignidade dos sectores mais conscientes do povo trabalhador galego ficou, mais umha vez, bem patente e bem elevada. As pessoas que nom nos envergonhamos de sermos galegas e de utilizarmos quotidianamente o nosso idioma, temos mais um motivo para nos orgulharmos e ver o futuro com esperança e optimimismo. Com luita e orgulho, colocaremos a nossa língua no lugar que merece.

VIVA GALIZA CEIVE !
NA GALIZA SEMPRE EM GALEGO !

domingo, 29 de Março de 2009

Obscurantismo


Qualificar o aborto de assassinato de nenos é umha cousa semelhante a acusar um porco que comeu cem landras de ter acabado cum monte de cem carvalhos centenários.

O obscurantismo sempre contra os avanços nos direitos das pessoas... Triste e ridículo.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

Era cousa de mudar isto um pouquinho...


É que nom tem perdom. Quando nom havia computador nem internet, isto enchia-se de mensagens. Agora que temos, o blogue anda na miséria.
O conto é que às vezes um nom sabe o que pôr aqui. Tanto comentário sobre a vida social e política cansa mesmo quem fai o blogue. Quereríamos fugir do frikismo e da ranciada, mas sempre acontecem cousas que chamam a nossa atençom, e o novelo vai-se fazendo grande... É o que tem.
Sendo assi as cousas, OMORTODEFAME fai a firme promessa de dar umha viragem pequeninha nos conteúdos do blogue e trabalhar algo mais nele, que assi abandonado parece umha dessas vilas castelás que um vê desde a janela do autocarro; Cintruénigo, ou que cona sei eu.
A quem tenha paciência abondo como para continuar a entrar aqui depois de todo este tempo, agradecemos-lho e prometemos-lhe um amanhá melhor, como os politiquinhos do caralho. OMORTODEFAME gostaria de saber o número de visitas que soma o blogue, mas o contador avariou-se há já meses. Contodo, convidamos qualquer pessoa que estiver a ler isto a contribuir para engrossar essa nómina invisível.

Saúde e lume!

segunda-feira, 2 de Março de 2009

O Vilas


O Vilas era o parvo dumha classe da ESO em Bertamiráns.
Nunca falava ao caso, e gaguejava. Se o encirravas dizendo-lhe que alguém se metera coa sua nai, começava umha briga no momento. Penso que em toda a secundária só aprovou a educaçom física, e porque à professora lhe dava mágoa.
Um dia, entrou o director na sala de aulas. Acusou o Vilas de latar e, perante a cachada deste, esconder-se baixo o seu próprio carro, quer dizer, o do director. Perguntado polo motivo da latada, o Vilas respondeu que queria tomar um café. O director perguntou com quem, e o Vilas respondeu: "com mil pesetas".
O coitado, quando alguém faltava, nom sabia dizer outra cousa que "foi à erva para a bicicleta!". A gente ria-se do seu retraso, e ele pensava que era popular.
E popular era, que o vim eu onte a exercer como tal. Quando fum ao velho tele-clube a deixar o papelinho na caixa, que tanto fazia que nom o tivesse deixado, ali estava o pobre Vilas, vestido de home importante e co logótipo da Peste no Peito. Si, estava ali de recadeiro dos privatizadores, assassinos de iraquianos, inimigos do galego, narcotraficantes, maltratadores de animais, queimadores de montes, dos golpistas contra o governo legítimo da Venezuela, dos franquistas mal reformados e, em definitivo, do mais atrasado e escurantista cancro do que nom se dá safado o nosso país.
À noite, na TV, vim e ouvim todo o que nom queria ver nem ouvir. Nom gostava dos que estavam antes, mas dava-me arrepios a simples ideia de voltar à caverna.

Nom sei se o Vilas estava ali porque a peste conquerira o seu pobre encéfalo atrofiado, se fora por um punhado de euros, ou por umha combinaçom dos dous factores: ignoráncia e mesquindade. O conto é que, tristemente, os Vilas som a metade do nosso povo.