
O Vilas era o parvo dumha classe da ESO em Bertamiráns.
Nunca falava ao caso, e gaguejava. Se o encirravas dizendo-lhe que alguém se metera coa sua nai, começava umha briga no momento. Penso que em toda a secundária só aprovou a educaçom física, e porque à professora lhe dava mágoa.
Um dia, entrou o director na sala de aulas. Acusou o Vilas de latar e, perante a cachada deste, esconder-se baixo o seu próprio carro, quer dizer, o do director. Perguntado polo motivo da latada, o Vilas respondeu que queria tomar um café. O director perguntou com quem, e o Vilas respondeu: "com mil pesetas".
O coitado, quando alguém faltava, nom sabia dizer outra cousa que "foi à erva para a bicicleta!". A gente ria-se do seu retraso, e ele pensava que era popular.
E popular era, que o vim eu onte a exercer como tal. Quando fum ao velho tele-clube a deixar o papelinho na caixa, que tanto fazia que nom o tivesse deixado, ali estava o pobre Vilas, vestido de home importante e co logótipo da Peste no Peito. Si, estava ali de recadeiro dos privatizadores, assassinos de iraquianos, inimigos do galego, narcotraficantes, maltratadores de animais, queimadores de montes, dos golpistas contra o governo legítimo da Venezuela, dos franquistas mal reformados e, em definitivo, do mais atrasado e escurantista cancro do que nom se dá safado o nosso país.
À noite, na TV, vim e ouvim todo o que nom queria ver nem ouvir. Nom gostava dos que estavam antes, mas dava-me arrepios a simples ideia de voltar à caverna.
Nom sei se o Vilas estava ali porque a peste conquerira o seu pobre encéfalo atrofiado, se fora por um punhado de euros, ou por umha combinaçom dos dous factores: ignoráncia e mesquindade. O conto é que, tristemente, os Vilas som a metade do nosso povo.